Psicanalistas sem Fronteiras

O famoso e angustiante inconsciente

Débora Fálico Quintana
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22/11/2025
•
5 min
O inconsciente é objeto de fascinação para alguns, de muita angústia para outros, e pode-se dizer ainda, que ele traz alguma tristeza. O inconsciente é responsável pelos desejos, pensamentos, memórias, impulsos, e influenciam nossas emoções e atitudes. Na teoria de Sigmund Freud, um médico neurologista austríaco do século passado, a mente humana é formada por três estruturas: consciente, pré-consciente e inconsciente. E o inconsciente é a principal área de estudo dessa teoria. O consciente é a parte da mente onde a informação é atual e está em foco. O pré consciente, é a parte que a informação não está em foco, mas é de fácil acesso, como por exemplo uma receita de bolo ou a data de aniversário dos filhos. E o inconsciente é onde fica guardada as informações e memórias que não podemos acessar por meio da consciência, mas apenas por chistes, sonhos, atos falhos e sintomas - físicos ou psicológicos. Essas memórias podem ser de desejos proibidos, de conteúdos reprimidos, de traumas psicológicos, etc. Esses conteúdos, na maioria das vezes, trazem grande sofrimento para o sujeito, e por isso ele foi recalcado / guardado de modo muito seguro. A função do inconsciente, em primeira instância, podemos dizer então que é de proteção do sujeito?! Sim. Contudo, é uma falsa proteção, pois ele não consegue ficar calado e aparece em forma de sintomas que dificultam muito a vida do mesmo. Mas então, é possível decifrar o inconsciente? Pode-se dizer que não totalmente. Podemos tentar fazê-lo por meio de análise das sutis e atrapalhadas informações que ele nos proporciona. Para que isso aconteça, é fundamental que o sujeito tenha curiosidade sobre si mesmo, se conheça na medida do possível, e esteja atento aos seus comportamentos e atitudes. Nessa busca, podemos contar com o trabalho de um psicanalista. Ele pode ajudar trazer à tona os conteúdos inconscientes para a consciência, permitindo que seja compreendido e resolvido os conflitos internos que influenciam o comportamento e o bem estar físico / emocional do analisando. Para os que têm a falsa ideia de controle, que busca controlar as situações e decisões nos mínimos detalhes, que dificulta a autonomia e liberdade dos outros ao seu redor por falta de confiança, têm dificuldade de lidar com o incerto e desconhecido, decifrar o inconsciente é objeto de desejo. É angustiante saber que não tem controle e poder nem sobre ele mesmo, e que, tudo o que tanto tenta controlar externamente, não é real nem com as próprias atitudes. A sensação é de insegurança, e uma necessidade de desnudar a alma, o corpo e a mente. Virar do avesso para ter acesso e, portanto, controlá-lo. Mas, depara-se com a impossibilidade de isso acontecer. Quanto mais você tenta controlar, mais longe está de acessar. O acesso está na distração. Mas o controlador não se distrai. E para os que não tem a necessidade de controle, decifrá-lo torna-se fascinante. Saber que se tem algo a descobrir pode trazer um propósito em uma eterna busca e aprendizado sobre si mesmo. A leveza com que vive a vida, faz com que ele brinque com essas incertezas e vai, aos poucos acessando, sem perceber durante o processo, o inconsciente. Depois de um tempo, percebe-se as mudanças. A dores, os sintomas, os comportamentos adoecedores já não fazem mais parte da vida. A tristeza aparece quando se enfrenta alguma situação de sofrimento, sintomas e/ou angústia e o ego do analisando ainda não está fortalecido o suficiente para acessar o conteúdo responsável por essas dores. Nesse momento, lidamos então com a resistência, que são mecanismos de defesa que o sujeito traz para evitar confrontar essas dores e os traumas. Se o sujeito está em análise, essas resistências podem se manifestar de várias formas: o silêncio é uma delas, onde o analisando evita falar de alguns assuntos, não responde às perguntas do analista, mudando o foco, ou simplesmente fica em silêncio durante a sessão. Outra forma é o esquecimento. Ele não se lembra do fato que causou a dor e/ou o trauma. A distração também funciona como resistência. O ouvido fica seletivo e só ouve o que convém para se proteger da dor. O humor pode aparecer para evitar sentimentos desconfortáveis ou discussões profundas, e a hostilidade, torna-o defensivo, agressivo ou resistente com o processo em si ou com o analista. A resistência também aparece na negação da necessidade de análise quando se é visível que muitos traumas estão impactando negativamente a vida do sujeito. Esses processos de resistência não são conhecidos pelo sujeito ou pelo analisando. Quem está comandando é o inconsciente na tentativa de defendê-lo do sofrimento. Porém, é trabalho do analista interpretar os sinais desses conteúdos emocionais ou psicológicos difíceis de lidar, e explorar de forma delicada e compreensiva, ajudando o analisando a entender suas origens e através delas, trabalhar para promover o crescimento e resolução dos conflitos. Referências Bibliográficas FREUD, Sigmund. O inconsciente (1915). In: ______. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. XIV. FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos (1900). Rio de Janeiro: Imago, 1996.
#Freud

Comentários (1)

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Raphael Bispo27/11/2025

Uau. Explicação muito bem elaborada!