Cicatrizes
Poesia

Cicatrizes

Débora Fálico Quintana
06/01/2026
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Colecionar cicatrizes é a função mais constante do ser humano. É assim que vamos vivendo: pedaços que caem, pedaços que crescem, pedaços que doem antes de caberem em nós. Cada marca é um lembrete silencioso — do que enfrentamos, do que perdemos, do que deixamos para trás para continuar. Somos feitos de camadas que o tempo descasca, e de suturas improvisadas durante as madrugadas. Há cortes visíveis, há cortes que ninguém vê, mas todos contam histórias que insistimos em carregar. E no entanto, seguimos. Ressignificando a dor, rearrumando o peito, aprendendo a usar a própria pele como mapa. Porque crescer é isso: transformar ferida em caminho e perceber, com certa ternura, que mesmo remendados, ainda brilhamos.

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