
Viver é perigoso
É preciso ser poeta Muito mais que ser um físico É preciso ser criança Por amor e por ofício É preciso esperança Muito mais que cognitivo É preciso entrar na dança Para manter o equilíbrio Já presenciei algumas tempestades De nenhuma delas saí ilesa Mas saí mais forte e mais coesa Agora a vida me apresenta mais algumas Assim todas elas juntas Embaladas em papel de presente Com um dourado iluminado Desses que até cega a gente Mas para merecer Antes é preciso suportar os espinhos Aguentar os silêncios e amar bem quietinho Aprender a domar a pressa E a cultivar o carinho A paciência é regra Mas não consigo sozinho Eu luto contra os meus demônios Dia e noite Todo dia A insônia me acolhe e me escuta: a gritaria! Só a solidão me envolve E me entende no meu íntimo Viver é perigoso Não é coisa de menino.
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