O tempo de doer
Na psicanálise de Freud, não se pode mudar o passado. Já sabemos disso. Mas nosso inconsciente não!! A dor do trauma é grande demais, então ficamos voltando um trilhão de vezes para tentar um final diferente para aquela história dolorida. Cada dor tem seu tempo de doer. E quando esse tempo chega no final, talvez seja possível ressignificar o trauma. Nada muda. Mas muda o seu olhar sobre ele. Só que tem um problema. No caminho da elaboração, percebemos que aquela dor era também nosso modo de existir, e a partir de agora não temos mais nada. Perdemos o chão e a direção. E torna-se impossível continuar vivendo. Aquela vida se foi, será preciso fazer o luto. E recomeça o tempo da dor, não mais do trauma, mas de tudo que existia e se foi junto com ele. Será preciso inventar outra forma de viver. Adquirir novas ferramentas. Reconstruir tudo que foi quebrado. Mas se você der uma chance, e conseguir cruzar a ponte, um novo dia estará amanhecendo e trazendo com ele inúmeras possibilidades de vida e de amor.
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